O mundo é como um malmequer,
O vemos, mas não pensamos nele
Porque pensar é não compreender...
O mundo não se fez para pensarmos nele
Mas para olharmos pra ele e estarmos de acordo
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Idiossincrasia
| por Térence Veras e Pedro M. Mahfuz |
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26.8.07
REFLETINDO EM GABRIEL GARCIA MARQUES
Ando lendo “Memoria de mis putas tristes” – claro, em espanhol-, do mestre Gabriel Garcia Marques. A obra é uma demonstração de maturidade e excelência no manejo das palavras; O livro é narrado todo em primeira pessoa e começa com o personagem principal do romance querendo dar a si próprio um presente muito especial naquele seu aniversário de 90 anos: uma louca noite de amor com uma menina virgem. Bom, esse causo se desenrola até o final das 110 páginas, e não tem quase sacanagem, ao contrário do que se possa pensar. No livro Gabriel tece diversos mini ensaios sobre a existência humana, sobre amor, sobre sexo e sobre a velhice. Foi numa dessas passagens sobre a terceira idade que me veio à cabeça uma foto inspiradíssima tirada pelo meu amigo publicitário André Carrasco. O modelo é este que vos escreve, mas o bom mesmo da foto é a atmosfera capturada pelo André.
Então, segue uma tradução do trecho e a foto. Acho que no momento do clique eu deveria estar pensando mais ou menos nisso:
(...) Desde então comecei a medir a vida não por anos e sim por décadas. A dos cinqüenta havia sido decisiva, porque tomei consciência de que quase todo mundo era mais jovem do que eu. A dos sessenta foi a mais intensa, pela suspeita de que já não me sobrava tempo para equivocar-me. A dos setenta foi temerosa por uma certa possibilidade de que pudesse ser a última. Ainda que, quando acordei vivo na primeira manhã dos meus noventa anos, na cama feliz de Delgadina, me ocorreu a idéia complacente de que a vida não fora algo que passa como o rio inquieto de Heráclito, e sim uma ocasião única de virarmos de lado na grelha e continuar assando por mais noventa anos. (..)
Gabriel Garcia Marques. Tradução: Térence Veras
7:44 PM Comments:
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