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Idiossincrasia
por Térence Veras e Pedro M. Mahfuz
23.1.08

UMA NORUEGA TROPICAL

Quem ainda não teve a oportunidade de assistir A Mulher de Oslo, por favor o faça com urgência. Já rodando pelo estado há mais de um ano, o show, que tem como protagonista a cantora Vanessa Longoni, é, pelo menos, audacioso e original.
O mote do espetáculo vem de um conto de Eduardo Galeano (escritor uruguaio que merece ser lido) de nome A paixão de dizer, que fala de uma mulher em Oslo que canta e conta histórias de sua vida. E é nesse ponto que a pequenina Vanessa vira uma gigante. Tanto pelo sua grande voz, como pela sua hipnótica presença de palco.
Tive a sorte de estrear na platéia da Mulher de Oslo em um teatro que proporciona uma intimidade além do comum entre artista e público: o Teatro de Arena - que, como o próprio nome diz, distribui as pessoas ao redor do palco. Aí é só alegria!

Do início ao fim, A Mulher de Oslo é poesia. A começar pelo cenário, que lembra uma praça durante o outono, com banco de madeira e folhas de plátano secas tapando o chão. Essas folhas secas fazem parte, aliás, do contexto musical da coisa. Porque os músicos caminham pelo palco, pisando nas folhas, e transformando aquele ruído em nuance de som.

De início, a banda entra sozinha, ainda sem sua maestrina. E o primeiro tema não poderia ser mais propício: Dona tá Reclamando – de Dominguinhos Minguinho -, em que os músicos cantam em uníssono o refrão que dá nome à música. E em meio ao clima meio navio negreiro que começa a se instaurar, salta Vanessa, invadindo e tomando de assalto o palco com uma energia sul real. A partir daí, a voz de Vanessa desliza por canções que vão de Elomar e André Abujanra até Alanis Morrisete e Goran Bregovic, sem deixar de fora coisas aqui dos pampas e do prata – Nico Nicolaiewski, Arthur de Faria e Leo Maslíah.

O timbre de Vanessa é privilegiadíssimo e versátil: Potente, suave, agressivo, sensual... Sua fluência em cantar em inglês, espanhol é a mesma que com o português – ela faz isso parecer fácil.
Mas música e cenário são apenas uma parte da Mulher de Oslo. Cada música é intercalada por um texto muito bem costurado e perfeitamente interpretado por Vanessa. Ou por uma instrumentação igualmente redonda.

Enfim, não estamos diante de um simples show musical. Ali temos uma história sendo contada. Com início, meio e fim. Com ritmos, timbres e vozes de todo mundo – dá pra ouvir fados, unza-unza-music, tangos, baladas...Com piano, acordeon, sitar com distorção, viola com delay, violão, baixos, tambores... Um deleite só. Como todos os shows deveriam ser.

A Mulher de Oslo tem - além da já bem citada Vanessa Longoni cantando:Arthur de Faria (piano e acordeon), Angelo Primon (sitar,violas e violões), Clóvis Boca Freire (baixo acústico e elétrico) e Diego Silveira (percussões - baldes, panelas & o que pintar).



Térence Veras

*Foto: Camila Mazzini

4:06 PM Comments:

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