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O mundo é como um malmequer, O vemos, mas não pensamos nele Porque pensar é não compreender... O mundo não se fez para pensarmos nele Mas para olharmos pra ele e estarmos de acordo


























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Idiossincrasia
por Térence Veras e Pedro M. Mahfuz
30.3.09

Tu e Eu


O telefone toca:

- Alô

- Oi, pode falar?

- Posso

- Seguinte: tá insustentável essa situação pra mim. Que que tá acontecendo?

- Acontecendo com o que?

- Com a gente

- Nada

- Nada?

- Eu não te liguei no final de semana por respeito.

- Respeito?

- É, já que não posso te dar o que mereces.

- E lá tu sabe o que eu mereço?  Tu sabe o que eu quero?

- Não

- Preciso dizer o que quero?

- Diz

- Tu é o que eu quero

- É, mas eu não sei o que EU quero. Tou cheio de coisas pra resolver. Olho ao meu redor  e não sei por onde começar. Muito abacaxi pra descascar.

- Essas mazelas tavam aí quando nos apaixonamos, e até então não tinham interferido  nessa nossa coisa bacana.

- Pois é. Mas não é nada contigo. É comigo.

- (risos). Não podes usar essa. Essa todos usam.

- Eu quero meu tempo, minhas coisas.

- Tu sempre teve, que eu saiba.

- Não quero ir pra minha viagem e ter um compromisso aqui. Não quero ficar procurando sinal no telefone pra ligar pra ninguém.

- Mas e nem eu quero isso. Tu tá criando uma relação de dependência que não existe;

- Existe

- Existe?

- Sim. TU é dependente de mim

- Sou?

- Eu quero um homem, não um filho

- Oquei. Posso concordar. Talvez eu não tenha percebido isso.

- Tu me choca. E eu não quero ser chocada a todo instante.

- Te choco porque te instigo, te faço pensar fora dos limites impostos pela nossa própria razão, te mostro o caminho do subjetivo, da anstração.

- Eu tou montando meu quebra-cabeças. E nossas peças tão desencaixando.

- Então vamos rearrumar elas. Talvez alguma esteja só fora de lugar. Deixa nossos corações guiarem a montagem. Porque pode ser que a tal dependência não seja minha

- Lá vem tu com papos de projeção

- Não, não. Tou achando que o que te faz ter a sensação de que EU sou dependente de ti é que, na verdade, TU não és dependente de mim. E é isso que tu almeja: ser dependente, ganhar colo.

- Será?

- Tu não queres um homem, queres um pai.

- Eu percebi que não vamos dar certo. Por isso essa coisa abrupta. Eu sou assim. Mudo de canal e pronto, tu sabe.

- Não sei se me conformo com isso. Pelo pouco que te conheço, sei que existem sentimentos muito lindos e muito mais profundos que tu demonstras. Só que tão guardados aí. E mesmo quando afloram, porque é inevitável que eles venham à tona, tu percebe isso e reajusta o dial.

- Tenho medo.

- Todos temos. E reconheço que posso ter desencadeado essa tua reação sendo omisso em relação a certas atitudes.

- Deixa a borboleta voar. Quem sabe ela não volta pro teu ombro?

- Lembro de uma vez em que me fizesse uma pergunta mais ou menos assim: 'e se eu me apaixonar?'. E eu fui evasivo. Porque me assustei.

- Agora eu que tou assustada.

- Eu sei. E quero tentar arrefecer essa sensação. Tou disposto a isso.

- Eu não sei que estou disposta.

- Se tu não me quisesse de verdade já o terias dito.

- Verdade

- A chave do teu AP. Tenho que te devolver.

- É, tem. Quando?

- Se tu quiser, passo aí agora mesmo e te largo ela.

- Não. Não tenho pressa.

Térence

4:07 PM Comments:



EGOTRIP MAJESTÁTICA

Sempre vai ter alguém melhor do que nós. O que não impede que eu faça o meu melhor. Esta frase, que me soou bem - e surgiu durante divagações idiossincráticas -, chegou junto com alguns outros conceitos que me fizeram vislumbrar caminhos menos doloridos para conflitos que assolam a todos nós humanos (demasiadamente humanos).

Não cabe a mim ficar listando aqui quais são esses antagonismos e a maneira com a qual lidamos com eles. Cada um sabe do seus monstros e das suas bengalas. O que proponho é uma reflexão sobre o que nos motiva viver, o que nos faz abrir os olhos de manhã e o que não nos motiva. Porque no cerne de toda essa guerra confusa de sentimentos, crenças e razão, está a nossa vontade de resolver o que parece estar estático. E pessoas não suportam conviver com o que não tem movimento.

O que nos faz pessoas é a capacidade que temos de mudar. De tropeçar e levantar. A metáfora do rio, nessas horas, sempre funciona: ele tá sempre ali no mesmo lugar, mas nunca é o mesmo. A água de dentro dele tá sempre em movimento. O rio muda a cada instante. Só que continua tendo a mesma essência.

Essência.
X
Consciência Reflexiva

Nós somos o que somos. Tal raciocínio até é piegas. Mas não deixa de ser simples e verdadeiro. Vivemos numa redoma de padrões. E além de nos embutirem padrões, ainda querem que os sigamos num espaço de tempo determinado. O que nos tira a vontade de fazer o nosso melhor. E é talvez nesse aspecto que podemos encontrar um caminho alternativo para o que está mais ou menos dentro de nós: fugir dos padrões e do tempo.

O mais ou menos não nos basta.

É muito fácil seguir caminhos certeiros, que já foram trilhados outrora. Mas e a novidade? E a experiência? E o desvendar o desconhecido? A razão das pessoas se fazerem miseráveis é a monotonia existencial. Não queremos experiências repetidas. Quando isso acontece, nos afastamos do causador dessa sensação. Seja ele um pensamento, um sentimento, uma atitude ou uma pessoa.

Levamos a vida como uma alegoria. O Modus operandi estabelecido aqui em nossa época e espaço é esse: representamos a idéia do nosso mundo perfeito através de imagens. O problema é que grande parte de nós não quer a mesma imagem que todos os outros. Queremos pintar nosso próprio quadro. Queremos a tela em branco e a sala vazia e em silêncio, para que possamos dar nossas pinceladas ao nosso ritmo. Sem uma forma pré-estabelecida, sem um desenho por trás para nos guiar, sem as cores ordenadas para nos facilitar.

Claro que nem todos temos a mesma maneira de desenhar. Há quem já consiga traçar um esboço de sua tela muito rápido e de um jeito bem concreto. O sentido da vida difere de pessoa para pessoa, de um dia para o outro, de uma hora para outra. É subjetivo. E por isso é belo . Cada qual tem sua própria maneira de executar uma tarefa concreta e isso é que torna cada ser humano peculiar, único, com uma grande possibilidade de cumprir o que é estritamente necessário. Portanto, não acho que devamos nos fixar no melhor dos outros. Façamos o nosso melhor. E, juntos , teremos o melhor de todos.

Térence Veras

11:39 AM Comments:

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