O mundo é como um malmequer,
O vemos, mas não pensamos nele
Porque pensar é não compreender...
O mundo não se fez para pensarmos nele
Mas para olharmos pra ele e estarmos de acordo
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Idiossincrasia
| por Térence Veras e Pedro M. Mahfuz |
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30.6.09
FELICIDADE INTERNA BRUTA
Andando pela cidade em uma manhã fria e de solzinho bacana dessas, buscando conversas alheias que pudessem render um material bom pra algum microdrama (a rua é o melhor laboratório pra isso!), ouvi algo que me fez refletir. Não peguei bem o início nem o fim da conversa. Apenas uma pergunta solta, dita por uma senhora à outra, me chamou a atenção: “Teu marido te faz feliz?”
Depois disso, o caos da metrópole deu conta de abafar o som da resposta. Mas eu já nem precisava mais dela. Fiquei imaginando o que eu diria, caso essa pergunta fosse dirigida à mim, e nas possíveis derivações dessa questão.
Uma pessoa me faz feliz?
Alguma coisa me faz feliz?
O que me faz feliz?
E aí minha imediata reação é: eu dependo de qualquer coisa pra ser feliz?
Objetivamente: Nada me faz feliz. Eu sou feliz.
Feliz Cidade
Féli Cidade
Há Legria
Feliz Idade
Tá, impossível não impregnar o texto com tom piegas quando o assunto tratado é esse. Sempre vai parecer livro de auto ajuda. Mas como estes livros sempre versam sobre o lugar comum, serei aqui óbvio também.
Nossa felicidade independe das 'coisas'. Felicidade não deve ser um estado de espírito. Acho que se em algum momento necessitarmos de algo ou alguém para sermos felizes, estaremos com um problema.
Se temos a certeza da impermanência, de que nada é estático, seremos felizes com ou sem dinheiro, com ou sem carro, com ou sem aquela guitarra maravilhosa, sozinhos ou acompanhados. A felicidade deve estar sempre contida em nós.
Mesmo em momentos tristes, sou feliz. Quando perdi minha mãe, por exemplo, ainda assim, era feliz. Claro que a dor é inevitável, mas a tristeza que se sente em uma hora dessas é muito inferior à felicidade que há em lembrar de todo o amor que existia na nossa relação.
Lidando de frente com a morte, aprendi que a tristeza é passageira e que o amor, o perdão a compreensão são eternos. É só nesse ponto que discordo do Vinicius, quando ele diz que 'tristeza não tem fim, felicidade sim'.
A grande maioria das pessoas adora arranjar motivos para não ser feliz. Muitas passam uma vida procurando a tal felicidade e dizem ainda não tê-la encontrado. E ainda pior, responsabilizam tudo e todos por sua infelicidade, quando, na verdade, só quem consegue tal proeza somos nós mesmos.
Então, não estejam felizes. Sejam felizes! E não procurem a felicidade. Ela já vem com a gente.
Térence Veras
4:58 PM Comments:
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